domingo, 19 de agosto de 2007

Pinacoteca com Clarice

Saudade, 1899, Almeida Jr.

Foi num domingo. Há exatamente duas semanas. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã na Benjamin Abrahão, em Higienópolis, que padaria! Tudo bem que café da manhã em padaria é sempre muito bom, mas nessa foi um espetáculo! Aí eu abusei mesmo. Pedi logo um croissant com manteiga e geléia e o insubstituível café com leite. Mesmo porque o dia prometia ser longo, possibilitando queima total de calorias (tá bom, o meu circuito gastronômico em Sampa não me permitiu queimar todas as calorias que eu precisava...).

A Nathália se superou: o croissant dela era de queijo e presunto! Àquela hora, mesmo com o tempo nublado e um frio danado, a padaria estava bombando.
Sempre a pé, observando cada detalhe da cidade (sentia-me a própria turista, só faltou o guia), seguimos para o shopping, onde a Raca ia nos buscar. Eu olhava São Paulo com olhos diferentes e não queria deixar de registrar cada momento, cada lugar. Talvez tenha sido a forma que encontrei de guardar aqueles momentos que foram tão especiais. Afinal, eu sabia que teria que voltar à realidade, e minha realidade não é mais lá.
Aí, nós três, numa euforia total, porque não é sempre que se tem um domingo inteiro pra curtir com gente que a gente ama, fomos para a Pinacoteca, linda Pinacoteca! A Ra me apresentou pro Almeida Júnior, artista brasileiro da segunda metade do século XIX, considerado precursor dos modernistas. Aliás, essa pintura dele, "Saudade", foi pra mim a mais expressiva de todas, parecia que ela ia levantar o olhar e sair andando. Amei.

Depois, uma passadinha no café e umas fotos no jardim, que só por ele já teria valido a pena.
Só foi atravessar a rua e lá estávamos, no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, onde finalmente eu iria realizar um desejo tão esperado: visitar a exposição da Clarice Lispector. Foi excelente, as meninas também adoraram e saímos de lá com vontade de mais Clarice.
Gastamos metade do dia nesse passeio, e foi surpreendentemente muito barato. Em cada um dos museus pagamos R$ 2,00 a meia entrada, o que não foi nada perto do que nos proporcionou.
Quando terminamos de ver tudo, já se ouviam os estômagos roncando. Beleza. Lugar pra comer é o que realmente não falta em SP. Como o cafezinho da Cultura, no Conjunto Nacional, seria parada obrigatória depois do almoço, optamos pelo Rascal, ali nos Jardins mesmo, perto do Conjunto. Ótima escolha, apesar da fila (em SP, pra tudo tem fila!) que tivemos que enfrentar.

E por falar em Cultura, nossa!!! Fantástica! Pena que estava super lotada e que a gente tinha pressa. Mas ainda assim, deu pra tomar o bendito café com um pedaço de bolo de chocolate. E já era tarde, essas calorias não deu pra queimar...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Allez Allez


Semana passada estava em São Paulo. Foram 7 dias fantásticos que me fizeram esquecer de todos os problemas e do martírio de viver em Brasília - tudo o que eu precisava.
Saí daqui apenas com alguns planos para a semana, alguns nomes de restaurantes e cafés e a certeza de que o domingo seria reservado para Clarice Lispector que estava no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz (a ela, dedicarei um post à parte em breve). As expectativas foram todas superadas. Os programas não poderiam ter sido melhores. E as companhias...fizeram toda a diferença!
Acho que desci no Vergonhas, digo Congonhas, com o pé direito mesmo, porque deu tudo muito certo. Dessa vez foram apenas encontros.

Combinamos que, na quinta-feira, nos encontraríamos de novo para continuar a conversa iniciada na segunda. Queríamos um restaurante que fosse descolado, um lugarzinho convidativo, onde desse pra gente bater-papo e reviver os pelo menos 15 anos de amizade. Juro que essa noite daria um ótimo capítulo de "Sex and the City"!!!
A Júli passou lá em casa, pegamos a Thamy e seguimos pra Vila Madalena. Por sugestão da Júli, dentre as várias outras opções, escolhemos o Allez Allez que já tinha sido bem recomendado, cuja cozinha é comandada pelo Luis Emanuel, um chef revelação da Veja São Paulo. Acertamos em cheio! Os pratos - as três pediram peixe, mas não me recordo exatamente os nomes - estavam divinos, tudo regado a um bom vinho Syrah, escolhido cuidadosamente pela sommelier da mesa. Depois veio a sobremesa. Crème brulée, delicioso! E o vinho de sobremesa. E mais meia garrafa de um Carmenere, se não me engano. E muitas risadas!
Até que, depois de uma passadinha no loo, um encontro inesperado com o chef em pessoa, que deu muito o que falar e transformou o resto da noite.
Depois de nos apresentar pra cada cantinho do Allez Allez, o chef nos levou pra conhecer o Le Petit Trou, em Pinheiros, outro restaurante que ele comanda, que já corre risco de ser cenário do nosso próximo capítulo de Sex and the City em São Paulo. O lugar é charmosérrimo, a decoração impecável! Ficamos no andar de cima, uma sala de estar super aconchegante, ouvindo Serge Gainsbourg, tomando Sidra e curtindo cada minuto que a noite tinha reservado pra gente. Chegaram uns portugueses, depois um pernambucano, e até um sul-africano. E as três se olhavam e entendiam que aquela noite era delas, que apesar do tempo decorrido, quando as pessoas se identificam e há sintonia entre elas, tudo flui. Comprovei, mais uma vez, que amigas são raras e essenciais na vida da gente, e quero preservá-las do meu lado, sempre.Fechamos a noite numa disco underground, lá na Vila mesmo. Já era de madrugada e eu teria que trabalhar no dia seguinte. Mas não podia abrir mão de nada do que a noite estava oferecendo. Porque o encontro humano é tão raro, que quando acontece não pode ser desperdiçado.

"E uma tristeza muito particular se instala: a tristeza feliz. A tristeza feliz não é a que deriva das grandes dores, frustrações ou amarguras. É a que se associa ao momento bom, como perda inerente a cada encontro, como sentimento de certeza de que tudo aquilo passará." (Artur da Távola)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Bistrô do CCBB Brasília


Paulo Coelho, no livro Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, diz que todos os dias temos a oportunidade de fazer o dia valer a pena, o que ele chama de instante mágico. É aquele momento em que nos é dada a possibilidade de transformar mera rotina em um dia especial, de transformar um acontecimento sem importância em um momento de alegria.

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem - e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo:
“O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida.”
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.
Hoje eu tive um instante mágico. Eu costumo almoçar por aqui mesmo, no trabalho, mas quando vi que haveria um concerto de música russa no CCBB hoje às 13h, resolvi fazer diferente e fui até lá. A princípio, relutei (o-deio comer sozinha), mas nunca perco uma oportunidade de desfrutar de minha própria companhia, de um momento de introspecção. Como saí tarde daqui, não tive tempo de comer nada antes de ir, contando que encontraria um café onde pudesse enganar a fome.
Quando cheguei, as portas já estavam fechadas. Claro, passava das 13:30h, e mesmo insistindo, não me deixaram entrar. Por um momento, senti-me frustrada. Teria perdido a hora do almoço em vão??
Foi quando caminhei pelo hall do CCBB e avistei um bistrô, algumas mesas, ouvi barulho de talheres e também, ao longe, uma música ambiente que compunha o cenário perfeito para quem queria desanuviar um pouco. Então pensei que, ao menos, mataria a fome num lugar inusitado. Mas logo em seguida, percebi que estava frente a frente ao meu instante mágico. À minha direita, uma vista do Lago e da ponte JK, que eu acho particularmente linda, e um jardim belíssimo, atualmente expondo obras do escultor uruguaio Pablo Atchugarry. Do outro lado mais jardins. Pra completar, o céu azul e sem nenhuma nuvem me presenteava com um dia esplendoroso.
Naquele instante, senti uma felicidade tão grande, uma clareza total, que me deu força pra suportar o resto do dia com muita leveza, já esquecida há tempos. Não deixaria que nada, nada me abalasse até o fim do dia, quando retornaria ao 241 do sudoeste, o único lugar em Brasília onde me sinto em casa. E assim foi.
Voltando ao bistrô, chama-se Bistrô Bom Demais. Comandado pelo chef paulista de Jundiaí, Fábio Taveira.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Rumo a São Paulo


Sampa (Caetano Veloso)
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas e campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Panaméricas de áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E os novos baianos te podem curtir numa boa


Estou indo pra São Paulo, por uma semana, que alegria! A razão oficial dessa viagem é o trabalho, mas, sinceramente, há motivos intrínsecos muito mais fortes que me levam para lá. Saudades, família, amigas, cultura, tudo isso, além de que o clima aqui já tá ficando pesado...sinto que tá na hora de transcender, e para bem longe! Quero postar, em breve, fatos e fotos dos meus dias em São Paulo, conforme vá cumprindo a programação. Sim, porque a agenda já está lotada!

terça-feira, 31 de julho de 2007

cotidiano...

Monet: Houses of Parliament, London, Sun Breaking Through the Fog

"Hoje é domingo de manhã. Neste domingo de sol e de Júpiter estou sozinha em casa. Dobrei-me de repente em dois e para a frente como em profunda dor de parto - e vi que a menina em mim morria. Nunca esquecerei este domingo sangrento. Para cicatrizar levará tempo. E eis-me aqui dura e silenciosa e heróica. Sem menina dentro de mim. Todas as vidas são vidas heróicas". (C. Lispector, Água Viva)

"Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo (...) eu que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? é o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo". C. Lispector, Água Viva)


Sinto-me angustiada com tantas coisas acontecendo e eu sem postar nada há dias. Sinto desejo de exteriorizar meus sentimentos que se mantêm encarcerados por uma força maior, inexplicável. Talvez seja preguiça. Talvez medo.
Escrever é a maneira que encontro para tentar organizar minhas reflexões, as observações de cada dia, os sucessos e insucessos, encontros e desencontros. Mais que isso: é auto-conhecimento, percepção, desespero e alívio.
Desde o último post, coisas boas, outras nem tanto. Ganhamos uma das 7 maravilhas do mundo contemporâneo. Depois, batemos o recorde em medalhas de ouro no Pan - foram 54! Porém, a nossa alegria foi interrompida quando veio o trágico acidente do Airbus A320 da TAM. Paralelamente, o descaso dos nossos políticos com suas frases e gestos inoportunos (o "relaxa e goza" da Martox está rendendo até hoje!), a recolocação de ministros e autoridades nos mais altos cargos do governo, os nomes de sempre, escândalos envolvendo esses mesmos nomes que não acabam jamais. Mas não vou entrar nessa esfera um tanto desanimadora da política brasileira. Quero escrever sobre percepções, idéias, amenidades.
Não há nada mais certo do que a lei da atração. Atraímos aquilo que pensamos. Se são pensamentos bons, coisas boas virão. Já conheceram uma pessoa mesquinha, invejosa, que quando abre a boca é pra falar mal dos outros, alguém mal resolvido, meu pai diria um "pobre de espírito"?? Nem se preocupe se alguma vez essa pessoa te fez chorar. Você é superior, se sobressai em qualquer circunstância. Siga adiante, que a vida tratará de devolver o sofrimento àquele que o provocou. É a lei da atração.

Love and gratitude can part seas, it can move mountains and create miracles. The power of love and gratitude will dissolve all negativity in our lives; no matter what form it has taken. (Rhonda Byrne)

sábado, 7 de julho de 2007

laura e dani, ajudem-me com um título para este post...


I remember when, I remember, I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that place.
Even your emotions had an echo
In so much space

And when you're out there
Without care,
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much

Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Possibly

And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice

Come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are,
Ha ha ha bless your soul
You really think you're in control

Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me

My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking, I want to be like them
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done

Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pensamos que somos eternos


Como não se precipitar em sonhos? Como não se exilar da existência? Como não viver a realidade nua e crua? Como não caminhar para o passado? Como não deixar pegadas na areia? Como não deixar saudades? Como não cultivar ilusões? Como não conversar com fantasmas falantes? Como não viver a realidade de todo mundo? Como não se deixar enganar? Como não desconfiar da natureza humana? Como não se revoltar? Como não se encher do vazio? Como não ruir sem rumor?
(Pedro Maciel)

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Holambra




Já tinha ouvido falar de Holambra, famosa pelas flores, mas nunca pensei que um dia viesse trabalhar nessa charmosa cidadezinha do interior de São Paulo. Pois é, aqui estou. Fui designada pelo MRE para participar da HORTITEC, feira de horticultura, de 12 a 16 de junho. Taí um dos motivos por que gosto de trabalhar no Ministério: oportunidade de viajar e de conhecer pessoas e culturas diversas. E como é bom conhecer melhor o meu Brasil. Além de visitar lugares onde nunca estive antes, é sempre enriquecedor estar em contato com as pessoas que frequentam as feiras direcionadas aos mais variados ramos de atuação. Em novembro passado, por exemplo, fui a Recife para participar da Fispal, feira do setor alimentício, e foi meu primeiro contato com empresários brasileiros interessados em exportar seus produtos. Fiquei impressionada com a variedade do parque industrial brasileiro. Não tinha noção de como nosso país é altamente industrializado. Naquela época, ainda achava que éramos apenas produtores de soja, café e mais uma meia dúzia de produtos agrícolas. Estava enganada e desinformada!
Bom, mas voltando a Holambra, esta pequena cidade a 140 Km da capital, tem cerca de 10 mil habitantes e, a partir de 1948, recebeu imigrantes holandeses que se estabeleceram nesta região, mas foi só em 1991 que se emancipou politicamente.
Holambra é toda estilo europeu, uma graça, flores pra todos os lados. Eu estou à procura da tulipa, mas enquanto não a vejo, deixo algumas fotos do que tenho visto por aqui...

Em Campos, o menos é mais...

Só o fato de estar em Campos já faz um bem danado. Não é preciso ir ao melhor restaurante nem à melhor balada para que o feriado tenha valido a pena. Basta estar lá. E sentir o friozinho que vem da montanha. E caminhar pelas ruas de Capivari de cachecol e luvas, se necessário. De manhã, à tarde e também à noite. E se conseguir uma mesa, sentar no Villa di Phoenix e tomar um chopp. E deixar a hora passar e também as pessoas, e manter-se atento porque sempre se encontra alguém conhecido.
Esse último feriado foi ótimo! Já faz alguns anos, elegemos o Hotel Sagres como nossa hospedagem em Campos. Super bem localizado e com uma cozinha internacional excelente, o Sagres virou tradição lá em casa. E este ano virou também ponto de encontro dos nossos amigos. Na quinta, a Vivi jantou lá com a gente, na sexta, a Eliana e o Fernando nos acompanharam para o almoço e no sábado, a Dani com a família foram saborear a feijoada deliciosa servida no hotel. Fora os amigos que iam lá para um cafezinho com suspiro no final da tarde, ou um conhaque se a temperatura já estivesse muito baixa. O Sagres é realmente muito aconchegante.
E pra suportar o frio, só com muito bate-papo e uma boa bebida!
às vezes a gente começava à tarde...
...e continuava brindando até a noite!

Como eu adoro café, escolhi o Havana, no Market Plaza, como meu lugarzinho este ano, não pelo capuccino, confesso, que não era lá essas coisas, mas pelo ambiente muito agradável. Com direito à música ao vivo de fundo.
Teve também a Pucci, que foi nossa baladinha de sexta, where everything was for free. As músicas lá são ótimas, até a Vivi se rendeu ao estilo Pucci de curtir a night.
E pra fechar com chave de ouro, não poderíamos sair de lá sem uma noite no Villa, com a banda que eu não sei o nome, cuja vocalista simplesmente arrasa! E o repertório foi demais!!!
Como é bom sentir frio em Campos!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Fim de semana no Rio

Não adianta, apesar dos problemas que assolam a cidade maravilhosa, é sempre muito bom retornar ao Rio de Janeiro e se entregar à sua beleza estonteante, ao seu charme envolvente, ao ritmo da bossa, àquele clima de gente descolada que inspira novas tendências.
Saí daqui na sexta-feira à noite, direto para o Galeão, pois as passagens para o Santos Dumont são muito mais caras. E já ao sair do aeroporto, no caminho que leva da ilha ao Leblon, entre risos e conversas, pensamentos soltos, percebi o quanto o fim de semana seria especial.
Fomos ao Seu Martin, na General San Martin, misto de bar e café, meia-luz, ótimo atendimento, onde tomamos um Dal Pizzol muuiiito bom, e nem sentimos a noite passar. Foram algumas taças de vinho e logo o sol já estava despontando.
E foi nesse clima despretensioso e leve que se desenrolou o resto do findi. Pra mim, rolou também uma dose de nostalgia pelos tempos que vivi por lá. Quase um arrependimento por ter seguido outros caminhos, um sutil desejo de repetir a busca de outrora.
O Rio inspira sonhos, transpira cultura, ostenta exuberância. E para sentir imensa satisfação de estar lá não há de se buscar o supra-sumo. Basta um olhar através da janela do carro e contemplar a beleza que a cidade oferece e, simplesmente, sentir-se parte dela. Basta um passeio pelas vitrines de Ipanema, basta a vista de quem está na Av. Niemeyer, uma volta pelas ruas do Leblon, descobrir uma galeria de arte, uma estação de cinema, uma rua arborizada nas Laranjeiras. E surpreender-se sempre com o que a cidade oferece, onde o urbano e a natureza se misturam formando o cenário perfeito.
Dessa vez, o lugarzinho que escolhi foi o café da Livraria da Travessa, em Ipanema, um ambiente mega agradável pra quem gosta de café com bossa nova. Estivemos lá no sábado e também no domingo, e voltaria quantas vezes fosse possível. André disse que esse foi um típico programa paulista, mas eu discordo. Porque foi no Rio que descobri as livrarias 24h e o quanto é bom saborear um expresso no meio daqueles livros, revistas e daquela gente descolada.

E teve também almoço no Gula Gula, que eu adoro e recomendo sempre, e que fica numa casa tombada dos anos 40. Destaque para a quiche de brie com damasco, ma-ra-vi-lho-sa! E não posso deixar de falar do risoto de pato do Esch Café, foi ótima pedida!
Ah! Fomos também na Cardoso Júnior para que pudesse matar a saudade dos meus queridos Déa e Eliézer. É uma pena estar longe e ter tão pouco tempo para desfrutar das pessoas que tanto gosto.
A trilha sonora ficou por conta do André, que me apresentou para o e-mule e ainda me gravou um cd que não sai do rádio do meu carro. Espero que seu fim de semana tenha sido tão bom quanto foi para mim. Redescobrir o Rio foi o máximo, graças à excelente companhia de alguém super especial. Valeu demais!!!

Stand by me
When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we see
No I won´t be afraid
No I won´t be afraid
Just as long as you stand, stand by me
And darling, darling stand by me
Oh, now, now, stand by me
Stand by me, stand by me
If the sky that we look upon
Should tumble and fall
And the mountain should crumble to the sea
I won´t cry, I won´t cry
No I won´t shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
And darling, darling stand by me
Oh, stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me
Whenever you´re in trouble won´t you stand by me
Oh, now, now, stand by me
Oh, stand by me, stand by me, stand by me
Darling, darling stand by me
Stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me

sábado, 12 de maio de 2007

Papa 2


Comentário do meu querido e sarcástico André, que tem como hobby favorito me zoar:

"Não resisti e dei uma outra olhada no seu Blog ... hehhehh
Quase postei um comentário na história do Papa .. ia dizeeeeeer .....
ainda
bem que o Papa não usa gravata!
Hehehhehe"

Tinha que postar, André, até eu caí na gargalhada!

Meu bálsamo, Vinicius...


Acabo de sair da livraria Cultura tendo em mãos uma preciosidade: "Poesia completa e prosa", de Vinicius. Nunca me senti tão feliz e satisfeita depois de ter tomado uma facada. Mas levando em consideração que se trata do Vinicius e da sua obra completa, pagaria até o dobro só pelo prazer de tê-lo comigo todos os dias, podendo invocá-lo a qualquer hora, para que me reconforte e alimente minh'alma.
Fui apresentada ao Vinicius pela minha avó Estelita que, no meio de nossas saudosas conversas, deixava escapar o quanto gostava dele. Entretanto, somente aos 20 e poucos anos de idade é que fui atrás de sua obra e biografia, talvez como uma maneira de entender melhor minha avó e preencher a ausência que ela fazia, a essa altura falecida. Foi então que, assim como ela, me apaixonei. Cheguei a ler sua biografia escrita por João Carlos Pecci, irmão do Toquinho - este é outra paixão tardia, que merece capítulo à parte - e a cada página lida me identificava mais com aquele grande homem, "...o capitão do mato Vinicius de Moraes, poeta e diplomata, o branco mais preto do Brasil, na linha direta de Xangô...", com a sua maneira intensa e apaixonada de viver. Recomendo demais a poesia de Vinicius.

Vigília
Eu às vezes acordo e olho a noite estrelada
E sofro doidamente.
A lágrima que brilha nos meus olhos
Possui por um segundo a estrela que brilha no céu.
Eu sofro no silêncio
Olhando a noite que dorme iluminada
Pavorosamente acordado à dor e ao silêncio
Pavorosamente acordado!
Tudo em mim sofre.
Ao peito opresso não basta o ar embalsamado da noite
Ao coração esmagado não basta a lágrima triste que desce,
E ao espírito aturdido não basta a consolação do sofrimento.
Há qualquer coisa fora de mim, não sei, no vago
Como que uma presença indefinida
Que eu sinto mas não tenho.
Meu sofrimento é o maior de todos os sentimentos
Porque ele não precisou a visão que flutua
E não a precisará jamais.
A dor estará em mim e eu estarei na dor
Em todas as minhas vigílias...
Eu sofrerei até o último dia
Porque será meu último dia o último dia da minha mocidade.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

A benção do Papa


O Papa Bento XVI, o rabino Henry Sobel e o xeque Armando Hussein

Para mim, que não estive no Pacaembu para a comemoração da presença do Papa em SP, o encontro dos três líderes religiosos foi o momento mais incrível até agora. Foi uma demonstração de que as diferenças ideológicas podem sim ser superadas. Acho que representou mais ainda um desejo implícito de propagar a paz, independentemente da fé que se cultiva. Será que algum dia a tolerância vencerá as divergências entre nações??

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E juro que me senti envergonhada quando, voltando pra casa, ouvia pelo rádio a missa do Papa. Explico: em vez de exclamarem o "amém", como de costume, ou coisas do gênero, os fiéis gritavam e assobiavam como se estivessem num show de rock. Até me peguei rindo sozinha, de vergonha, confesso, porque parecia 40.000 fãs assistindo a um ídolo pop. E com direito a "olas" na arquibancada. E como todo show de peso, não faltaram os cambistas, as camisetas temáticas, os santinhos etc. Ouvi dizer até que tinha um vendendo diploma, por R$ 50,00, que devia atestar qualquer coisa do tipo "vi o papa". Será que o sujeito teve lucro??

Enquanto isso, no Congresso Nacional...

Reajuste salarial aprovado pela Câmara custará R$ 610 mi aos cofres públicos
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A Câmara aprovou na noite de ontem aumento de 28,5% nos salários dos 594 congressistas, do presidente da República, do vice e dos 34 ministros. Apesar de quase todos os partidos terem combinado a medida há semanas, o dia foi marcado por recuos de última hora, discursos tensos e bate-bocas entre governo e oposição.


Que país é esse, onde os nossos ilibados congressistas concedem aumento de seus próprios salários?!!!

domingo, 6 de maio de 2007

BICAMPEÃO!


EU SOU SANTOS E O MUNDO É MEU!

dia de domingo


Domingo é dia de parque. Hyde Park. Holland Park. Parque da cidade. Floresta da Tijuca. Ibirapuera
Domingo é dia de café da manhã caprichado, croissant, café-com-leite e pão de queijo. É dia de jogar conversa fora, perder-se no tempo. Sair sem hora para voltar, caminhar, nadar, jogar bola.
Almoçar fora. Se puder, dar uma volta na orla. Ohar o mar. Viajar. Levar o cachorro pra passear (ai que saudade do meu Nino!).
Depois, encontrar os amigos, pegar um cineminha. Rir, conversar, rir mais um pouco, talvez chorar.
E, ao final do dia, ouvir uma música e relaxar. Hora de pensar na semana que começa e esperar que no próximo domingo tudo se repita.

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Hoje fez dia lindo, como quase sempre nas bandas de cá. Resolvi, então, que meu dia valeria a pena. Pulei da cama, tomei my breakfast at tiffany's e me dirigi ao parque da cidade para uma caminhada. Queria, na verdade, lembrar os bons tempos de London, quando costumava passear pelo Hyde Park e Kensington Gardens nos dias de folga. E como era mágico! Apesar do frio (depois de certa hora era impossível suportar o vento congelante), os passeios pelos parques londrinos eram fascinantes! A paisagem exuberante, a arquitetura típica, todo aquele cenário de uma Europa ainda conservadora e ao mesmo tempo cosmopolita, tudo aquilo me fazia pensar que ali era o meu lugar, a minha hora. Não vou negar que as lágrimas escorriam com freqüência, mas a beleza do Velho Mundo e a concretização de um sonho compensavam qualquer sofrimento.
E hoje, andando pelo parque da cidade, por um instante pude transcender toda a distância que me afasta daqueles ares. Naturalmente, o inconsciente revelou-se: até quando me sentirei deslocada?
A propósito, a foto acima foi tirada no Hyde Park, num dia de domingo.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

outono no planalto


"...eu sinto a noite se inclinar e ouço as cantigas antigas do mar. Eu me perco em carícias de água e durmo escutando em vão o silêncio"

(Vinícius de Moraes)

No planalto central, nessa época do ano, com o término das chuvas e a entrada do outono, os dias são mais azuis e o pôr-do-sol deslumbrante. Dia desses, voltando pra casa depois do trabalho, fiquei completamente fascinada pelas cores que o ocaso formava no céu. O horizonte alaranjado, quase vermelho, parecia estar em chama. Um espetáculo de se ver. Quis acreditar que foi dádiva divina, especialmente pra mim, pra compensar a secura e a aridez dos meus tempos no cerrado.
Tá bom. Ninguém disse que iria ser fácil. E como é difícil encarar a ausência every single day! Ela, que me acompanha há tempos, já virou amiga inseparável. Muitas vezes, já tão acostumada com esse estado das coisas, chego a sentir-me estranha na companhia de outras pessoas que não a fiel ausência. Porque quando somos apenas eu e ela, os pensamentos voam longe, os devaneios preenchem o vazio e é assim, na introspecção, que os verdadeiros sentimentos vêm à tona.

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim"

(Carlos Drummond de Andrade)

No entanto, esse vazio constante, a dor da distância, a saudade permanente se impõem de tal maneira que acabam por se tornar cruéis. E tudo piora aos domingos, quando, mais do que nunca, olho através da janela e não vejo nada. Nem o céu de outono, nem o pôr-do-sol são capazes de preencher a "ausência assimilada". Resta-me, agora, esperar pelo solstício e me mandar pra Campos, onde os dias são mais leves e eu muito mais feliz!

quarta-feira, 2 de maio de 2007

it's always time to begin


Resolvi curvar-me a este mundo virtual, pulsante, interativo, tão dinâmico. Pois não há como fugir da modernidade. E por que me manter alheia a todas as transformações dos tempos modernos que, de uma maneira ou de outra, podem trazer tantos benefícios? Por que tanta resistência? Não. Quero usufruir desse mundo cheio de possibilidades, desejo o que essa tal de modernização tem de melhor. E, por isso, aqui estou. Torno-me blogueira. E talvez aqui, a partir de agora, consiga fazer deste blog o reflexo do meu "eu", e então dialogar com as palavras escritas e com os mais sinceros pensamentos para, quem sabe, encontrar-me no meio de tamanha mixórdia. E que essa busca seja INDELÉVEL. Conto com a contribuição de todos que passam por aqui, pela minha vida.

"Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno".
(Cecília Meireles)


Na foto acima estou em Praga. Foram minhas primeiras férias depois de me tornar funcionária pública. Nem bem completei um ano de trabalho, tirei todos os 30 dias a que fazia jus e me mandei pra Europa. A Europa é assim: depois que se vai a primeira vez, não se deixa mais de ir. É apaixonante. Inesquecível. E a cada vez, uma descoberta diferente. Nessa ocasião fui sozinha para desfrutar da sensação de liberdade que prezo tanto. Serviu também para me fortalecer e me relembrar de que nada é impossível. Foi lá, caminhando pelas ruelas de Cascais, contemplando o Mediterrâneo pelas praias de Barcelona, surpreendendo-me com a beleza de Cinque Terre ou passeando pelas ruas de Praga, que percebi como somos capazes de influenciar nosso próprio destino. Minha força lateja dentro de mim, querendo se expandir, sempre. Dizer que nunca me sinto prostrada seria uma grande mentira. Mas é aí que a força interior se manifesta, quando me encontro já enfraquecida e exausta. Como se fosse um outro eu, à parte, independente de mim, ela emerge e me faz retomar o ânimo e perceber como a vida é mágica. Sempre é assim na Europa.