terça-feira, 14 de agosto de 2007

Bistrô do CCBB Brasília


Paulo Coelho, no livro Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, diz que todos os dias temos a oportunidade de fazer o dia valer a pena, o que ele chama de instante mágico. É aquele momento em que nos é dada a possibilidade de transformar mera rotina em um dia especial, de transformar um acontecimento sem importância em um momento de alegria.

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem - e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo:
“O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida.”
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.
Hoje eu tive um instante mágico. Eu costumo almoçar por aqui mesmo, no trabalho, mas quando vi que haveria um concerto de música russa no CCBB hoje às 13h, resolvi fazer diferente e fui até lá. A princípio, relutei (o-deio comer sozinha), mas nunca perco uma oportunidade de desfrutar de minha própria companhia, de um momento de introspecção. Como saí tarde daqui, não tive tempo de comer nada antes de ir, contando que encontraria um café onde pudesse enganar a fome.
Quando cheguei, as portas já estavam fechadas. Claro, passava das 13:30h, e mesmo insistindo, não me deixaram entrar. Por um momento, senti-me frustrada. Teria perdido a hora do almoço em vão??
Foi quando caminhei pelo hall do CCBB e avistei um bistrô, algumas mesas, ouvi barulho de talheres e também, ao longe, uma música ambiente que compunha o cenário perfeito para quem queria desanuviar um pouco. Então pensei que, ao menos, mataria a fome num lugar inusitado. Mas logo em seguida, percebi que estava frente a frente ao meu instante mágico. À minha direita, uma vista do Lago e da ponte JK, que eu acho particularmente linda, e um jardim belíssimo, atualmente expondo obras do escultor uruguaio Pablo Atchugarry. Do outro lado mais jardins. Pra completar, o céu azul e sem nenhuma nuvem me presenteava com um dia esplendoroso.
Naquele instante, senti uma felicidade tão grande, uma clareza total, que me deu força pra suportar o resto do dia com muita leveza, já esquecida há tempos. Não deixaria que nada, nada me abalasse até o fim do dia, quando retornaria ao 241 do sudoeste, o único lugar em Brasília onde me sinto em casa. E assim foi.
Voltando ao bistrô, chama-se Bistrô Bom Demais. Comandado pelo chef paulista de Jundiaí, Fábio Taveira.

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