domingo, 19 de agosto de 2007

Pinacoteca com Clarice

Saudade, 1899, Almeida Jr.

Foi num domingo. Há exatamente duas semanas. Acordamos cedo, tomamos um ótimo café da manhã na Benjamin Abrahão, em Higienópolis, que padaria! Tudo bem que café da manhã em padaria é sempre muito bom, mas nessa foi um espetáculo! Aí eu abusei mesmo. Pedi logo um croissant com manteiga e geléia e o insubstituível café com leite. Mesmo porque o dia prometia ser longo, possibilitando queima total de calorias (tá bom, o meu circuito gastronômico em Sampa não me permitiu queimar todas as calorias que eu precisava...).

A Nathália se superou: o croissant dela era de queijo e presunto! Àquela hora, mesmo com o tempo nublado e um frio danado, a padaria estava bombando.
Sempre a pé, observando cada detalhe da cidade (sentia-me a própria turista, só faltou o guia), seguimos para o shopping, onde a Raca ia nos buscar. Eu olhava São Paulo com olhos diferentes e não queria deixar de registrar cada momento, cada lugar. Talvez tenha sido a forma que encontrei de guardar aqueles momentos que foram tão especiais. Afinal, eu sabia que teria que voltar à realidade, e minha realidade não é mais lá.
Aí, nós três, numa euforia total, porque não é sempre que se tem um domingo inteiro pra curtir com gente que a gente ama, fomos para a Pinacoteca, linda Pinacoteca! A Ra me apresentou pro Almeida Júnior, artista brasileiro da segunda metade do século XIX, considerado precursor dos modernistas. Aliás, essa pintura dele, "Saudade", foi pra mim a mais expressiva de todas, parecia que ela ia levantar o olhar e sair andando. Amei.

Depois, uma passadinha no café e umas fotos no jardim, que só por ele já teria valido a pena.
Só foi atravessar a rua e lá estávamos, no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, onde finalmente eu iria realizar um desejo tão esperado: visitar a exposição da Clarice Lispector. Foi excelente, as meninas também adoraram e saímos de lá com vontade de mais Clarice.
Gastamos metade do dia nesse passeio, e foi surpreendentemente muito barato. Em cada um dos museus pagamos R$ 2,00 a meia entrada, o que não foi nada perto do que nos proporcionou.
Quando terminamos de ver tudo, já se ouviam os estômagos roncando. Beleza. Lugar pra comer é o que realmente não falta em SP. Como o cafezinho da Cultura, no Conjunto Nacional, seria parada obrigatória depois do almoço, optamos pelo Rascal, ali nos Jardins mesmo, perto do Conjunto. Ótima escolha, apesar da fila (em SP, pra tudo tem fila!) que tivemos que enfrentar.

E por falar em Cultura, nossa!!! Fantástica! Pena que estava super lotada e que a gente tinha pressa. Mas ainda assim, deu pra tomar o bendito café com um pedaço de bolo de chocolate. E já era tarde, essas calorias não deu pra queimar...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Allez Allez


Semana passada estava em São Paulo. Foram 7 dias fantásticos que me fizeram esquecer de todos os problemas e do martírio de viver em Brasília - tudo o que eu precisava.
Saí daqui apenas com alguns planos para a semana, alguns nomes de restaurantes e cafés e a certeza de que o domingo seria reservado para Clarice Lispector que estava no Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz (a ela, dedicarei um post à parte em breve). As expectativas foram todas superadas. Os programas não poderiam ter sido melhores. E as companhias...fizeram toda a diferença!
Acho que desci no Vergonhas, digo Congonhas, com o pé direito mesmo, porque deu tudo muito certo. Dessa vez foram apenas encontros.

Combinamos que, na quinta-feira, nos encontraríamos de novo para continuar a conversa iniciada na segunda. Queríamos um restaurante que fosse descolado, um lugarzinho convidativo, onde desse pra gente bater-papo e reviver os pelo menos 15 anos de amizade. Juro que essa noite daria um ótimo capítulo de "Sex and the City"!!!
A Júli passou lá em casa, pegamos a Thamy e seguimos pra Vila Madalena. Por sugestão da Júli, dentre as várias outras opções, escolhemos o Allez Allez que já tinha sido bem recomendado, cuja cozinha é comandada pelo Luis Emanuel, um chef revelação da Veja São Paulo. Acertamos em cheio! Os pratos - as três pediram peixe, mas não me recordo exatamente os nomes - estavam divinos, tudo regado a um bom vinho Syrah, escolhido cuidadosamente pela sommelier da mesa. Depois veio a sobremesa. Crème brulée, delicioso! E o vinho de sobremesa. E mais meia garrafa de um Carmenere, se não me engano. E muitas risadas!
Até que, depois de uma passadinha no loo, um encontro inesperado com o chef em pessoa, que deu muito o que falar e transformou o resto da noite.
Depois de nos apresentar pra cada cantinho do Allez Allez, o chef nos levou pra conhecer o Le Petit Trou, em Pinheiros, outro restaurante que ele comanda, que já corre risco de ser cenário do nosso próximo capítulo de Sex and the City em São Paulo. O lugar é charmosérrimo, a decoração impecável! Ficamos no andar de cima, uma sala de estar super aconchegante, ouvindo Serge Gainsbourg, tomando Sidra e curtindo cada minuto que a noite tinha reservado pra gente. Chegaram uns portugueses, depois um pernambucano, e até um sul-africano. E as três se olhavam e entendiam que aquela noite era delas, que apesar do tempo decorrido, quando as pessoas se identificam e há sintonia entre elas, tudo flui. Comprovei, mais uma vez, que amigas são raras e essenciais na vida da gente, e quero preservá-las do meu lado, sempre.Fechamos a noite numa disco underground, lá na Vila mesmo. Já era de madrugada e eu teria que trabalhar no dia seguinte. Mas não podia abrir mão de nada do que a noite estava oferecendo. Porque o encontro humano é tão raro, que quando acontece não pode ser desperdiçado.

"E uma tristeza muito particular se instala: a tristeza feliz. A tristeza feliz não é a que deriva das grandes dores, frustrações ou amarguras. É a que se associa ao momento bom, como perda inerente a cada encontro, como sentimento de certeza de que tudo aquilo passará." (Artur da Távola)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Bistrô do CCBB Brasília


Paulo Coelho, no livro Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei, diz que todos os dias temos a oportunidade de fazer o dia valer a pena, o que ele chama de instante mágico. É aquele momento em que nos é dada a possibilidade de transformar mera rotina em um dia especial, de transformar um acontecimento sem importância em um momento de alegria.

É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual a ontem - e será igual a amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo:
“O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida.”
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.
Hoje eu tive um instante mágico. Eu costumo almoçar por aqui mesmo, no trabalho, mas quando vi que haveria um concerto de música russa no CCBB hoje às 13h, resolvi fazer diferente e fui até lá. A princípio, relutei (o-deio comer sozinha), mas nunca perco uma oportunidade de desfrutar de minha própria companhia, de um momento de introspecção. Como saí tarde daqui, não tive tempo de comer nada antes de ir, contando que encontraria um café onde pudesse enganar a fome.
Quando cheguei, as portas já estavam fechadas. Claro, passava das 13:30h, e mesmo insistindo, não me deixaram entrar. Por um momento, senti-me frustrada. Teria perdido a hora do almoço em vão??
Foi quando caminhei pelo hall do CCBB e avistei um bistrô, algumas mesas, ouvi barulho de talheres e também, ao longe, uma música ambiente que compunha o cenário perfeito para quem queria desanuviar um pouco. Então pensei que, ao menos, mataria a fome num lugar inusitado. Mas logo em seguida, percebi que estava frente a frente ao meu instante mágico. À minha direita, uma vista do Lago e da ponte JK, que eu acho particularmente linda, e um jardim belíssimo, atualmente expondo obras do escultor uruguaio Pablo Atchugarry. Do outro lado mais jardins. Pra completar, o céu azul e sem nenhuma nuvem me presenteava com um dia esplendoroso.
Naquele instante, senti uma felicidade tão grande, uma clareza total, que me deu força pra suportar o resto do dia com muita leveza, já esquecida há tempos. Não deixaria que nada, nada me abalasse até o fim do dia, quando retornaria ao 241 do sudoeste, o único lugar em Brasília onde me sinto em casa. E assim foi.
Voltando ao bistrô, chama-se Bistrô Bom Demais. Comandado pelo chef paulista de Jundiaí, Fábio Taveira.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Rumo a São Paulo


Sampa (Caetano Veloso)
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas e campos e espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Panaméricas de áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E os novos baianos te podem curtir numa boa


Estou indo pra São Paulo, por uma semana, que alegria! A razão oficial dessa viagem é o trabalho, mas, sinceramente, há motivos intrínsecos muito mais fortes que me levam para lá. Saudades, família, amigas, cultura, tudo isso, além de que o clima aqui já tá ficando pesado...sinto que tá na hora de transcender, e para bem longe! Quero postar, em breve, fatos e fotos dos meus dias em São Paulo, conforme vá cumprindo a programação. Sim, porque a agenda já está lotada!