sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

"Não é a morte, mas a vida é que não tem fronteiras"


Pra fechar o ano em dia com os filmes que estão no cinema (sem pretensão alguma de esgotar toda a lista), fui chorar muito ontem com "O Amor nos Tempos do Cólera". Queria ter lido o livro antes. Não deu.
A História é linda, e pra mim triste também, porque fala do amor de um homem que esperou 50 anos pela amada. Nessa vida, onde tudo é efêmero e não há entrega, foi emocionante ver e me sensibilizar com o amor de Florentino por Fermina, mesmo que tenha sido uma ficção que remonta ao início do século XIX.
Outra brasileira participa desse filme: Fernanda Montenegro. Ela está ótima, mesmo falando em inglês.
E falando nisso, minha crítica vai para o inglês como língua original do filme. Se é um filme adaptado do livro de um colombiano, que se passa em Cartagena, por que não fazer um filme falado em espanhol?? Fora que há uma mistura de sotaques, já que o elenco é formado pela protagonista italiana, pelo espanhol Javier Bardem, por uma brasileira e por colombianos. Soou muito estranho.
Nota 10 pra trilha que ganhou a voz da Shakira nas músicas que ela própria compôs! Lindas, por sinal.

Depois me dei conta que os dois últimos filmes que vi têm algo em comum: falam de homens intensos que amam profundamente e lutam pelo coração da amada. Um à moda antiga, manda cartas, toca violino embaixo da janela, ama platonicamente; o outro leva-a para uns dias no México, compra presentes, se desdobra para conquistar a amada, declama algumas estrofes, liga, liga de novo, tudo como deve ser nos nossos dias. O primeiro passa a viver em função do amor, fiel àquela paixão de jovem até os últimos dias de sua vida. O segundo parece que só começa a viver quando ela acaba. Quando a paixão torna-se em cicatriz, entranhada, que não desaparecerá nunca. Amores eternos. Que seja assim.
Coincidentemente, Catalina Sandino Moreno também está no elenco desse filme, dessa vez num papel secundário, sempre linda.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

"Meu coração é de ouro. O que você me daria por ele?"


UM AMOR JOVEM foi ótima pedida na última quarta-feira. Filme dirigido por Ethan Hawke, adaptação de um livro homônimo escrito por ele próprio, surpreendeu pela sensibilidade que trata assuntos sobre busca, paixão, sonhos, juventude.
Adorei Catalina Sandino Moreno, atriz colombiana, interpretando Sarah, uma garota recém chegada a NY em busca do seu destino. Jovem instável, porém apaixonada, cheia de sonhos, personalidade forte, ela traduziu muito bem toda complexidade que seu papel exige. Seu par romântico é William (Mark Webber), um jovem intenso, sua característica mais marcante. Também apaixonado, ele está louco para ser encontrado.
Essa história de amor se passa nos dias de hoje, numa super metrópole e trata de assuntos reais, de dúvidas, de traumas. Não há como não se identificar. E eu sigo acreditando e desejando que "Willians" existam e que saibam compreender as "Saras" de suas vidas. Assistam e entendam.

* Apesar de ter lido algumas críticas negativas sobre as roupas que Sarah usa, eu adorei o figurino autêntico dela! É uma mistura do urbano com tendências e cores latinas. Lindo!

** Não poderia deixar de falar da participação de Sônia Braga, que faz o papel de mãe da Sarah. É sempre bom ver nossos brasileiros se destacando lá fora, mesmo que sua atuação não tenha sido das melhores.

*** Ah! e a trilha...perfeita!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Poema de Natal

(Vinícius de Moraes)

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos –
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos –
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai –
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte –
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

feel free


Há momentos em que o Gudan é meu melhor amigo...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

o valor de uma boa conversa...


Laris,

Este post é uma homenagem à nossa conversa de ontem. E, por mais voltas que esse mundo dê, espero que a gente arrume sempre um jeito de se encontrar, seja aqui ou em qualquer lugar. Mas quanto a isso estou tranquila, porque bastou aquele encontro no bus stop pra você entrar na minha vida e criar raízes. Mesmo depois de alguns desentendimentos, né, e é aí que a gente vê que a amizade é mais forte. Não some, tá?

Epitáfio

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...

Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...

Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Maresias


Meu inferno astral deste ano passou despercebido. Eu que estava preocupada com a possibilidade de intensas oscilações psíquicas, afinal não há melhor período para se dar conta de que o tempo não pára e de que a idade é implacável, fui surpreendida por mim mesma. Ao contrário do ano passado, prostrada pela chegada de "tenra" idade, resolvi este ano comemorar meu aniversário de verdade com os amigos, os que estavam próximos, e acabei despendendo os dias que antecederam ao meu dia pensando no melhor local para a bebemoração. Não houve inferno astral. Não houve crise. Sentia-me leve. Despreocupada, e feliz. Atribuo ao Kleuton parte do meu entusiasmo, porque ele tem sido meu grande incentivador nos últimos tempos, quem me alerta sobre a importância do encontro humano, da aceitação e interação com o novo.
Chega de blablablá. Vamos aos fatos.
A comemoração começou um pouco antes, no feriado de 02 de nov. Fiz o que mais amo ultimamente: voei pra casa (entenda-se Santos), e o tumulto do aeroporto, vôo atrasado, desembarque em Guarulhos, tudo isso só não me desanimou porque o findi prometia ser muito bom. Consegui chegar de madrugada. Dormi pouco. Tinha poucas horas pra aproveitar com mamis, Dado e Nino antes de pegar a estrada rumo a Maresias. Era sexta-feira. Almoçamos no Canal 4 Restaurante, que eu recomendo demais, tanto pelo ambiente quanto pela comida. Saímos de lá, peguei a mala, uns CDs e fui em direção à Rio-Santos, como nos velhos tempos, como quem está descobrindo a liberdade, as coisas boas da vida, os encantos do nosso litoral norte.
Bom, como era aniversário da Guta, e ela e a Clô estavam em Juqueí, não foi nenhum sacrifício passar por lá logo na ida, tomar uma caipirinha, comer brigadeiro e curtir essas duas de quem eu tanto gosto.
Mesmo que tenha sido por apenas uma horinha, afinal a Nathália me esperava com a Dani, a Roberta e a Mari para começarmos nosso findi.
Segui, então pra Marê, depois de tanto tempo sem ver aquele mar, sem passar no Rochinha, na padaria, no canto do Moreira, ai! quantas lembranças!!! Só não foi perfeito porque o sol resolveu nos abandonar, mas ainda assim nos divertimos muuiiito!
Dessa vez ficamos na Katmandu, pousada muito boa, barata, na rua do Sirena, oferece café-da-manhã e tem estacionamento.
Os nossos "esquentas" eram super animados, graças ao i-pod da Mari (e de muita vodka com suco de uva, lógico!).
Aliás, chego à conclusão de que a Mari é fundamental em qualquer viagem, porque o que seria da gente sem o eclético i-pod dela e os muffins maravilhosos pra volta da balada?!
E eu estava animadíssima. Em parte por causa do esquenta, e também da catuaba, mas mais ainda porque as idas ao litoral norte já não são tão freqüentes, o que me fez querer aproveitar cada minuto ao máximo! E no quesito animação, a Robs tirou nota dez também! Grande companheira de balada (e de viagem também)! Até a Nates me surpreendeu, parecia a mais feliz da balada! Ela e a Dani se deram suuuper bem!


Ah! Só pra esclarecer: a balada foi sexta e sábado no Sirena, que já não é mais como era antigamente, mas o Dalla'nese continua arrasando!


Meninas, valeu demais!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Buemba no Píer, é mole?!

E pela segunda vez fui salva porque a bomba não explodiu! Aliás, estou até agora sem saber se as malas deixadas no Friday's tinham bombas de verdade, ou se o Esquadrão de Bombas, ao abrí-las, se deparou com um par de roupas surradas, um despertador velho e um código a ser decifrado. Explico:
Decidi, de última hora, almoçar com uns amigos do trabalho. Eu ia ficar lá no Ministério mesmo, porque tinha que terminar uma prova da pós, a última!, e não dava mais pra ficar fugindo. Mas aí as meninas me chamaram, e eu, que detesto comer sozinha, nem relutei. Aí, foi só a gente descer pra começar a cair aquela chuva! Foi um primeiro sinal de que não devia sair de onde eu estava. Tudo bem, não ia deixar o temporal estragar nosso programinha, que pra mim significaria também procrastinar.
Chegamos no Píer, mas não pudemos entrar no Friday's, como planejado. Outro sinal! É que estavam expulsando as pessoas de lá, pois havia ameaça de bomba no restaurante. Bomba?? No Píer?? Foi difícil acreditar, sério, mas o carro do Esquadrão de Bombas do BOPE não era de mentira! Fomos, então, pro restaurante do lado, onde parecia tudo muito normal. E de lá não saímos mais, porque depois de um tempão é que resolveram isolar o local e proibir o trânsito dos infelizes que resolveram almoçar lá bem nesse dia.
Sabe, foi PATÉTICO! Primeiro porque trancaram todo mundo no restaurante, em vez de isolarem o local, como se os vidros e as portas fossem blindados. Depois, o homem anti-bomba, com aquela roupa ridícula, removendo as duas malas supostamente explosivas, tomando todo o cuidado possível, e a 10 metros dele vários curiosos prestando a maior atenção, inclusive eu do lado de cá das janelas de vidro, torcendo pra que ele estivesse fazendo algum ato de heroísmo mesmo, mas torcendo também pra bomba explodir quando ele já estivesse bem longe. Cadê a segurança, galera?? E o pior é que todo mundo estava rindo, tirando foto com os celulares, como se tudo aquilo fosse uma simulação do BOPE. E se fosse verdade? E se realmente havia uma bomba naquela mala?
Agora a piada pronta: sabe onde eles foram desarmar a bomba?? No estacionamento! AHAHAHA
Tentei até me sentir em Londres ou em NY, mas foi difícil. O despreparo dos nossos pra lidar com uma situação dessas não permitiu. Ainda bem , né, pelo menos esse problema a gente não tem! Eu acabei entrando na onda e tirei umas fotos também, inclusive das malas que passaram do meu ladinho! Mas o celular não era meu, então fiquei sem fotos. Mas convenhamos, o importante era registrar o momento!

Outra:
Alguém pode responder a minha dúvida, por favor! Que criatura nesse mundo pensa em explodir o Píer (pra quem não conhece é um lugar onde tem Cinemark e muita criança), que não simboliza nada, nehuma religião, nenhum partido, nada! O terrrorista podia, ao menos, escolher um lugar que causasse impacto, por exemplo, o Congresso. E ainda viraria um herói nacional!

*A primeira vez que senti de perto a ameaça de uma bomba foi num metrô em Londres, em 93, na minha primeira ida àquela cidade. O "leave the station" que soava dos alto-falantes ficou gravado na minha memória. Foi uma correria total. Aquela sim, teria sido morte glamurosa!