terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Belém do Pará

Acabo de chegar de um outro Brasil. O norte do Brasil. Passei 4 dias em Belém, tempo suficiente para descobrir sua beleza escondida no meio de tanto abandono. Como disse um amigo belenense, "Belém é como uma menina favelada, muito bonita, mas com a beleza encoberta pela sujeira, pela falta de cuidado, pelos trapos". Foi exatamente o que vi.
A razão principal da viagem era prestigiar meu primo Eliézer Francisco que assumiria o comando do Exército local. E assim foi. A cerimônia foi emocionante. Estávamos todas orgulhosas!
Mas outros motivos também me levaram àquela cidade, tão rica e tão carente, com sua história, infelizmente, esvaindo-se pelo descaso.
Esse aí é o Ver-o-peso, mercado onde se vende de tudo. Parecia aquelas feiras de antigamente. Um passeio por lá era uma volta ao passado.
Ali perto, a Estação das Docas, área portuária revitalizada. Onde íamos todas as tardes para um delicioso sorvetinho!

Seguindo pela orla, chegávamos ao Complexo Feliz Lusitânia, essa parte também restaurada, onde se encontram o Museu do Círio, o Forte do Presépio, a Casa das 11 Janelas e o Museu de Arte Sacra, esse aí embaixo, que vale uma visita!

Ah! Eu já ia me esquecendo que ali do lado do ver-o-peso tem o Solar da Beira, ou museu dos índios, com exposição de fotos lindíssimas de índios locais.
Fomos também ao Teatro da Paz, inaugurado em 1878. MA-RA-VI-LHO-SO! Não é tão famoso quanto o teatro de Manaus, mas é imperdível.

Imperdível também foi a passadinha na loja de tecidos Paris N'América, "um dos melhores vestígios da belle epoque na Amazônia". Arquitetura do séc. XIX, dá uma olhada na escadaria que leva ao 2º piso:
Ainda demos uma passadinha em São José Liberto, lugar onde funcionam o Museu de Gemas, o pólo joalheiro e a casa do artesão. Antigamente, era um presídio:
E o último passeio turístico foi o Mangal das Garças, um parque à beira do Rio Guamá que possui um viveiro de borboletas e outro de pássaros, além da natureza exuberante. Todos adoraram!
E pra finalizar, um agradecimento especial pra Verinha pelas aulas de Botânica e de História!
... o flagra sensacional do Barba, um presentinho pra Déa, outro pra Clô ...
... e os primos lindos e queridos que estão fazendo a maior falta!!! Um beijo e um abraço forte em cada um!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Férias!

Chegaram minhas tão esperadas férias!
Daqui a duas horas estarei voando para Belém do Pará. Como disse um amigo, "Belém?? Então está indo para o exterior!" É, acho que é mais ou menos isso, terra tão distante e desconhecida pra quem nasce pros lados de cá. Estou super feliz de ter a chance de ir para lá.
Postarei algumas fotos e todas minhas impressões daqui uns dias. Aguardem!
Mas deixa eu ir que o táxi já está esperando!
Beijo a todos!

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Janeiro

Já se passaram 15 dias do novo ano e eu ainda não postei nada do que havia planejado. Ando meio sem tempo para o blog, apesar de amar isso aqui. Amo despender tempo postando minhas percepções diárias, registrando os momentos mais especiais, selecionando fotos e fatos, tentando exteriorizar as angústias, enfim, o blog virou um filho que demanda atenção...e eu a mãe meio desnaturada!
Mas a verdade é que ando ocupada com a monografia da pós, cujo prazo derradeiro é março. E março taí, e eu não redigi um capítulo sequer! Portanto, acho que essa é uma boa justificativa pra minha falta de assiduidade no blog, mesmo sabendo que mães desnaturadas não se justificam!
Bom, o ano é novo e eu estou cheia de planos. Entrei 2008 com o pé direito, lá em Mangaratiba, pulei as sete ondas, joguei moedinhas no mar, com uma fitinha amarela no braço e a calcinha cor de rosa. Nossa! Se tanta superstição não funcionar, só morrendo pra nascer de novo! Só sei que os 5 dias de RJ foram ótimos, e um sentimento de confiança, de que este ano será ano de boas transformações, tomou conta de mim.
Aí meu recesso de uma semana terminou, eu voltei pra Brasília, e me concentrei nas leituras sobre o "choque de civilizações", tema da mono. Queria adiantar bem esse assunto, pois semana que vem eu tiro férias e aí só voltarei à monografia depois do carná.
Pois é, mais viagem em vista. Só pra adiantar meu destino nestas férias, passarei alguns dias em Belém, Santos, Punta e Montevidéu. Estou animadíssima! Afinal, ano passado foi bem puxado entre trabalho e pós à noite, sem direito a férias, portanto acho que esses dias de folga serão mais do que merecidos!
E passando por um blog amigo, o gmrp.blogspot, encontrei o seguinte texto do Marcelo Rubens Paiva, que tomei emprestado, e que traduz exatamente o que significa Janeiro pra mim. Está sensacional! Aí vai:

O Primeiro
Marcelo Rubens Paiva

Janeiro é o primeiro mês do resto de um ano que certamente será de turbulência e transformação, riso e lágrima, avanço e retrocesso, tempestade e seca, denúncia e pizza, prazer e desamor, mergulho e vôo cego. Será? O ano mal começou, e já faço previsões. Somos viciados nelas. Posso deixar para depois a lista de como o ano será? Pois assim é janeiro, o melhor mês do calendário: esperanças renovadas, promessas estabelecidas e, para a grande parte, férias de verão. Portanto, o depois pensamos depois.

Janeiro é alegre, como um comercial de cerveja. Aliás, todos os comerciais de cerveja retratam o primeiro mês do ano? As mulheres parecem sorrir em janeiro. Como em comerciais de cerveja. Janeiro é conciliador. Fora que em janeiro todos vestem as roupas novas que ganharam no Natal. Em janeiro há abundância de calor e chuva, de suor e nudez. Não há grandes eventos esportivos, transmissões pela TV, estréias teatrais, festivais de cinema ou música, feiras de livro ou arte. Porque em janeiro até o pensamento pede refresco. Não se fecham negócios em janeiro. Nem se começam tratamentos. Nem novela estréia em janeiro. Em janeiro, não há presença do amanhã. Adiamos decisões, pois queremos apenas curtir o mês de janeiro. Janeiro tem gosto de água-de-coco. A trilha sonora de janeiro é a bossa nova. Uma que não fala de tristeza.

Em janeiro não se aprende nada. Fica tudo para depois do Carnaval. Em janeiro, ninguém faz nada. Me confundo. Em janeiro não fazemos nada? Fazemos. O mínimo.

Janeiro já começa com um feriado. Que parece durar 31 dias. É o mês em que todos os dias são sábado. Todos os sábados têm cara de janeiro. O mês lembra um mar sem vento, um céu sem nuvens. Parece meio-dia para os bichos. Recupera-se o que perdeu no anterior, ganha-se fôlego, apagam-se as arestas. Os ressentimentos ficam esquecidos. Em janeiro prometemos de tudo. Parar de fumar, prometem os fumantes. Fazer mais exercícios, prometemos todos. Ficar mais tempo em casa (os estressados). Menos tempo em casa (os sedentários). Prometemos também coisas banais, como aprender sobre vinhos, a cozinhar, a pescar. Janeiro é como uma piscina sem ondas, um livro fechado, um presente ainda embrulhado.

Em janeiro é como o ano deveria ser, ou como a vida poderia ser: com aquela vontade de dessa vez acertar. De dia, uma rede, um olhar perdido, uma sede, uma sombra, no máximo um sorvete. De noite, que calor, gente na rua depois da chuva, vivendo o começo de um novo tempo, aliás, temporada. Ironicamente, quem mais trabalha em janeiro é o povo que prepara o carnaval.

Como é feliz este mês. Eu amo janeiro. Ele é dourado como o sol. Reluz alegria. É o bebê de todos os meses. É a infância de todos os anos. Em janeiro, somos todos crianças engatinhando para os degraus de fevereiro, março, abril... Em janeiro, não temos medo de viver.

> Marcelo Rubens Paiva, 48 anos, é escritor e dramaturgo. Autor de [sic] dezenas de livros, entre eles o clássico Feliz Ano Velho [sic] (1983), ganhou os prêmios Jabuti, Moinho Santista e Shell de teatro."

Fonte: Revista OGlobo
Jornal OGlobo, RJ, edição de domingo, 30 de dezembro de 2007

There are so many special people in the world

Eu diria que "Boa Sorte", a música de Vanessa da Mata e Ben Harper, tem um ritmo bem legal e agradável, não fosse pelo fato de que não pára de tocar nas rádios, nas lojas, nos bares, em todos os lugares e já está me deixando irritada! Dia desses, num shopping com a minha irmã, entramos numa loja e, surpresa: "tudo o que quer me dar, é demais, é pesado, não há paz...". Aí entramos em outra loja e, adivinhem: "there is a disconnection, see through this point of view, there are so many special people in the world...". Ô, perseguição! Será que viver sozinha está me tornando chata ou realmente essa música já deu o que tinha que dar??Depois de um tempinho, semana passada na verdade, na estrada a caminho do aeroporto, descubro que o único CD que tinha no carro da minha irmã era o do Ben Harper. Não acreditei! Tive que me render ao hit, mesmo porque achei o resto do CD fraco e não gostei muito do que ouvi. O jeito foi colocar o "lançamento" no repeat e prestar atenção ao que eles diziam.
E aí, pasmem, fui conquistada pela música somente por causa da frase que dá título a este post. There is a disconnection, it's true, mas acredito demais que há tantas pessoas especiais no mundo! Não é fácil encontrar essas pessoas por aí, mas elas existem, eu sei! Mais difícil ainda é conservá-las em nossas vidas. Porque essas pessoas especiais são tão interessantes que, depois do encontro, depois de deixarem alguma marca, de despertarem nossa admiração, seguem para outros cantos, para ilustrar outra vida.
Mas por que é tão difícil a empatia, a sintonia, o encontro humano? Repito isso porque, pra mim, o encontro humano é tão raro e descomunal que torna o desencontro inexplicável.
Várias pessoas interessantes já passaram pela minha vida. Deixaram marcas e lembranças. Considero-me o acúmulo de todas as marcas que fui adquirindo durante meus anos. Sou também herança genética e resultado daquilo que me foi transmitido, mas esses dois últimos aspectos têm mais força quando se é muito jovem. Atualmente, o que pesa mais são as experiências vividas e o aprendizado obtido no meio do caminho. Quero que minha vida seja de encontros, e de pessoas especiais, e que eu saiba cativá-las, porque se um dia forem embora, elas desejarão voltar.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Only in Rio



Sim! Ensaio de escola de samba somente no Rio mesmo... e eu que pensava que não teria mais a oportunidade, foi tudo uma surpresa! E como tudo que acontece de improviso é bem melhor, essa noite não tinha como ser diferente. Graças a meu primo Eliézer Francisco, nota 10, mais animado do que todo mundo! Quero ser que nem ele quando crescer...
E, apesar da muvuca (que faz parte do programinha "light"), foi ótimo me encontrar no morro da Mangueira, no meio daquela galera suada, alto astral, samba no pé, e ainda por cima enfrentar uns flanelinhas que chamam todo mundo de "meu querido", passar pelo viaduto do funk e fingir que tá tudo em paz, que eu fico super à vontade no morro, que a violência do Rio é exagero da oposição. Não é, a gente sabe, mas nos ensaios é todo mundo igual, o rico e o pobre, a zona norte e a zona sul, e não há uma briga, e não se ouve um tiro. Somente o ritmo do batuque e o canto uníssono do samba enredo do próximo carnaval. Só no Rio.