E pela segunda vez fui salva porque a bomba não explodiu! Aliás, estou até agora sem saber se as malas deixadas no Friday's tinham bombas de verdade, ou se o Esquadrão de Bombas, ao abrí-las, se deparou com um par de roupas surradas, um despertador velho e um código a ser decifrado. Explico:
Decidi, de última hora, almoçar com uns amigos do trabalho. Eu ia ficar lá no Ministério mesmo, porque tinha que terminar uma prova da pós, a última!, e não dava mais pra ficar fugindo. Mas aí as meninas me chamaram, e eu, que detesto comer sozinha, nem relutei. Aí, foi só a gente descer pra começar a cair aquela chuva! Foi um primeiro sinal de que não devia sair de onde eu estava. Tudo bem, não ia deixar o temporal estragar nosso programinha, que pra mim significaria também procrastinar.
Chegamos no Píer, mas não pudemos entrar no Friday's, como planejado. Outro sinal! É que estavam expulsando as pessoas de lá, pois havia ameaça de bomba no restaurante. Bomba?? No Píer?? Foi difícil acreditar, sério, mas o carro do Esquadrão de Bombas do BOPE não era de mentira! Fomos, então, pro restaurante do lado, onde parecia tudo muito normal. E de lá não saímos mais, porque depois de um tempão é que resolveram isolar o local e proibir o trânsito dos infelizes que resolveram almoçar lá bem nesse dia.
Sabe, foi PATÉTICO! Primeiro porque trancaram todo mundo no restaurante, em vez de isolarem o local, como se os vidros e as portas fossem blindados. Depois, o homem anti-bomba, com aquela roupa ridícula, removendo as duas malas supostamente explosivas, tomando todo o cuidado possível, e a 10 metros dele vários curiosos prestando a maior atenção, inclusive eu do lado de cá das janelas de vidro, torcendo pra que ele estivesse fazendo algum ato de heroísmo mesmo, mas torcendo também pra bomba explodir quando ele já estivesse bem longe. Cadê a segurança, galera?? E o pior é que todo mundo estava rindo, tirando foto com os celulares, como se tudo aquilo fosse uma simulação do BOPE. E se fosse verdade? E se realmente havia uma bomba naquela mala?
Agora a piada pronta: sabe onde eles foram desarmar a bomba?? No estacionamento! AHAHAHA
Tentei até me sentir em Londres ou em NY, mas foi difícil. O despreparo dos nossos pra lidar com uma situação dessas não permitiu. Ainda bem , né, pelo menos esse problema a gente não tem! Eu acabei entrando na onda e tirei umas fotos também, inclusive das malas que passaram do meu ladinho! Mas o celular não era meu, então fiquei sem fotos. Mas convenhamos, o importante era registrar o momento!
Outra:
Alguém pode responder a minha dúvida, por favor! Que criatura nesse mundo pensa em explodir o Píer (pra quem não conhece é um lugar onde tem Cinemark e muita criança), que não simboliza nada, nehuma religião, nenhum partido, nada! O terrrorista podia, ao menos, escolher um lugar que causasse impacto, por exemplo, o Congresso. E ainda viraria um herói nacional!
*A primeira vez que senti de perto a ameaça de uma bomba foi num metrô em Londres, em 93, na minha primeira ida àquela cidade. O "leave the station" que soava dos alto-falantes ficou gravado na minha memória. Foi uma correria total. Aquela sim, teria sido morte glamurosa!
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