A descrença nos finais felizes transpôs palcos e telas. Virou moda a solidão. E não sei nem quero apontar culpados, mas já encheu o papo de "mundo globalizado", "pessoas individualistas". Virou oba-oba.
** Por Guilherme Gonzalez, Coluna do site Guia da Semana, acesso em 18/06/09.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
sábado, 13 de dezembro de 2008
Quando as coisas não dão certo...
Quando as coisas não dão certo, as dúvidas começam a surgir e eu começo a me perguntar se o caminho onde me encontro vale a pena.
Valem a pena os ideais? Vale a pena lutar pela perfeição, pelo não-arrependimento? Vale a pena todo o esforço, vale??
Eu não sei. Há dias em que quero seguir a mesma trilha, manter-me no caminho "certo". Há outros em que meu único desejo é viver o presente e esquecer o resto. Nada de ideais, nada de futuro, nada de expectativas. Há certas horas em que o mais importante é o presente e foda-se o resto!
Mas aí o momento passa, e o que sobra se já não há mais planos?
Hoje eu não quero a felicidade fugaz que nasce da intensidade de um momento. Não quero ser dessas que vivem das lembranças de quando foram felizes, mesmo por um breve instante. Não quero o desprendimento, não quero a superficialidade dos sentimentos, dos relacionamentos. Também não quero o caos, o incerto, o instável. Chega de intensas oscilações, não quero!
Hoje não.
Amanhã é outro dia.
Valem a pena os ideais? Vale a pena lutar pela perfeição, pelo não-arrependimento? Vale a pena todo o esforço, vale??
Eu não sei. Há dias em que quero seguir a mesma trilha, manter-me no caminho "certo". Há outros em que meu único desejo é viver o presente e esquecer o resto. Nada de ideais, nada de futuro, nada de expectativas. Há certas horas em que o mais importante é o presente e foda-se o resto!
Mas aí o momento passa, e o que sobra se já não há mais planos?
Hoje eu não quero a felicidade fugaz que nasce da intensidade de um momento. Não quero ser dessas que vivem das lembranças de quando foram felizes, mesmo por um breve instante. Não quero o desprendimento, não quero a superficialidade dos sentimentos, dos relacionamentos. Também não quero o caos, o incerto, o instável. Chega de intensas oscilações, não quero!
Hoje não.
Amanhã é outro dia.
aeroporto, sábado
É, acabou sobrando pro consular ofícios de cerimonial. E eu aqui, pelo segundo dia, no aeroporto de Guarulhos, aguardando, desta vez, nosso Embaixador de Cuba. Longa espera.
No ERESP, amigo secreto semana passada. E eu ganhei "O Pequeno Príncipe". Fiquei tão feliz!
Voltando ao aeroporto, entre um café e outro e uma olhadinha nos emails, aproveito pra desvendar as páginas do principezinho. Logo me delicio com a escrita metafórica de Saint-Exupéry, descobrindo, nas primeiras páginas, a grandeza nas palavras tão simples. Esse parágrafo veio a calhar:
Ok, não estamos falando de flor, have you got it??
No ERESP, amigo secreto semana passada. E eu ganhei "O Pequeno Príncipe". Fiquei tão feliz!
Voltando ao aeroporto, entre um café e outro e uma olhadinha nos emails, aproveito pra desvendar as páginas do principezinho. Logo me delicio com a escrita metafórica de Saint-Exupéry, descobrindo, nas primeiras páginas, a grandeza nas palavras tão simples. Esse parágrafo veio a calhar:
Não soube compreender coisa alguma! Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. Ela exalava perfume e me alegrava...Não podia jamais tê-la abandonado. Deveria ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la.
Ok, não estamos falando de flor, have you got it??
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Lips like Sugar
Esse último findi foi a melhor praia do ano! Onde: Maresias. Quem: eu, Dany, Raquela, Fer, Letícia e Tiago. Pousada: Azul Banana, gorgeous! Night: Sirena. Praia: Canto, entrada 19, the best ever!
She floats like a swan
Grace on the water
Lips like sugar
Lips like sugar
Just when you think you've caught her
She glides across the water
She calls for you tonight
To share this moonlight
You'll flow her river
She'll ask & you'll give her...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses
She knows what you know
I know what she's thinking
Sugar kisses, sugar kisses
Just when you think she's yours
She's flown to other shores
To laugh at how you break
And melt into this lake
You'll flow down her river
But you'll never give her...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses
She'll be my mirror
Reflect what I am
Loose women
The king of Siam
And my siamese twin
Alone in the river
Mirror kisses, mirror kisses...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses.....
(Echo and The Bunnymen)
She floats like a swan
Grace on the water
Lips like sugar
Lips like sugar
Just when you think you've caught her
She glides across the water
She calls for you tonight
To share this moonlight
You'll flow her river
She'll ask & you'll give her...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses
She knows what you know
I know what she's thinking
Sugar kisses, sugar kisses
Just when you think she's yours
She's flown to other shores
To laugh at how you break
And melt into this lake
You'll flow down her river
But you'll never give her...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses
She'll be my mirror
Reflect what I am
Loose women
The king of Siam
And my siamese twin
Alone in the river
Mirror kisses, mirror kisses...
Lips like sugar
Sugar kisses
Lips like sugar
Sugar kisses.....
(Echo and The Bunnymen)
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Soneto de aniversário
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece....
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinícius de Moraes
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece....
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinícius de Moraes
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Para viver um grande amor
Ando carente de poesia. Essa vida agitada da gente faz com que o tempo se dissipe com as obrigações cotidianas, rapidamente, não permitindo espaço para o essencial, o humano. Não gosto dessa coisa de dizer "não tenho tempo", "estou sem tempo". O tempo é a gente que controla, sou dona do meu tempo. Sempre há tempo, quando se trata de prioridade. Hoje, quero dedicar mais tempo às coisas da alma.
E nessas horas, nada melhor que Vinícius, grandioso e brilhante Vinícius:
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
E nessas horas, nada melhor que Vinícius, grandioso e brilhante Vinícius:
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Born to be sexy!
Mais uma vez o Rio encanta, espanta, entusiasma, enfurece.
Mais uma vez as paisagens se confundem, a realidade atordoa, o que é belo dura pouco, apenas até o próximo susto.
Mais uma vez o Rio de Janeiro e Laranjeiras, seduzindo duas almas livres, sempre itinerantes, até certo ponto incansáveis.
E que sorte tivemos! Fez um final de semana de sol delicioso. E ainda era tempo de Tim Festival, na Marina da Glória: SEN-SA-CIO-NAL! Foi muita sorte pra um único final de semana. Meia-entrada, todos os shows de graça, muita gente bonita e música pra ninguém botar defeito!
**Recado pra Raquel: tudo bem que a gente não precisa de pretexto pra voar, né Raca, mas que o evento da Marinha foi perfeito, ninguém duvida! Adorei nosso findi!
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Irma Vap

Depois de 20 anos da primeira versão, a peça "O Mistério de Irma Vap" volta com novos atores, os EXCELENTES Marcelo Médici e Cassio Scapin, no Teatro Shopping Frei Caneca, com direção de Marília Pera.
Foi tudo de última hora, quando a Raquel me ligou dizendo que tinha dois convites. Apesar de estar com a cabeça em outro lugar (na prova de 5 horas que faria no Domingo), nem pensei duas vezes, afinal já tinha perdido de assistir à atuação de Marco Nanini e Ney Latorraca há dez anos, o que não aconteceria de novo. Então fomos.
Sem nenhum exagero, essa foi a melhor peça da minha vida! Os dois atores interpretam 8 personagens - uma loucura e realmente inacreditável como eles conseguem trocar de roupa tão rápido! Como disse Scapin em entrevista a Folha, "é um texto de puro entretenimento, uma diversão, uma fábula não localizada numa região, num grupo social. É uma historinha de terror-humor confortável".
AMEI tanto que estou pensando em voltar lá, dessa vez pagando. Eles merecem!
Fica aí a dica: O MISTÉRIO DE IRMA VAP
Quando: qui. e sex., às 21h30; sáb., às 21h; e dom., às 19h.
Onde: Shopping Frei Caneca (r. Frei Caneca, 569, tel. 0/xx/11/3472-2229).
Quanto: de R$ 60 a R$ 70.
Até 7/12.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Diamonds on the inside


Chácara do jockey, ontem. Ben Harper e Dave Mathews Band, na seqüência. Ainda, Vanessa da Mata com "Boa Sorte", fechando o show do californiano. Apesar do friozasso, uma vibe praiana pairava na pista, remetendo a tantas outras noites memoráveis de pé na areia. E logo no início a noite se transformou. Antes, uma desavença, que se dissipou na leveza de um encontro e na fluidez dos acontecimentos. Ai se a vida da gente fosse sempre assim, feita de encontros, surpresas, boa música, uma bebida pra relaxar e alguém com quem dividir tudo isso...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Primavera com Quintana
Mudamos de estação.
Transformações são sempre bem-vindas!
Saudemos a primavera!
POEMINHA SENTIMENTAL
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana
Transformações são sempre bem-vindas!
Saudemos a primavera!
POEMINHA SENTIMENTAL
O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Antoine de Saint-Exupéry
Recebi um email lindo de uma amiga e, no meio da mensagem, essa frase foi a que mais me sensibilizou:
"Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante".
Não é a pura verdade??
"Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante".
Não é a pura verdade??
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Bossa na Oca

Ontem, fui à exposição comemorativa dos 50 anos de Bossa no Ibirapuera. Amei!
Para os apaixonados pela Bossa, a exposição é um deleite. Uma réplica do calçadão de Copacabana, logo na entrada, os documentários e depoimentos de vários artistas que deram vida à Bossa, os jukeboxes com os clássicos, o encontro virtual entre os grandes nomes como Vinícius, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e outros, enfim, a imensa projeção do mar no teto para ser contemplada enquanto se ouve as "canções do amor demais", foi tudo uma delícia!
Recomendo. Em exibição até 7 de setembro. Na Oca do Ibirapuera.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Resíduo
Time for poetry...
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Ando meio desligada...
Muita coisa boa acontecendo ao mesmo tempo e sem delongas, o que causa certa estranheza quando se está acostumada a lidar com a paciência. E é sempre assim: longa sucessão de meses tediosos intercalados por algum fato memorável, ciclo que se repete desde sempre. Isso ocorre na proporção 6x1, ou seja, uma grande feita por semestre.
Iminência de vida nova, pensamentos distantes, trabalho em ritmo lento. Incapacidade total de concentração. 3 livros começados sem perspectiva nenhuma de concluí-los nos próximos meses. As revistas que assino estão lá, intactas, juntando poeira. A única leitura que ainda me prende é a dos blogs. Dos outros.
E ando descobrindo coisas super interessantes. Esse blog, por exemplo, é um verdadeiro bazar virtual. A idéia é vender roupas, sapatos e acessórios que já não cabem mais no armário, mas que ainda estejam em bom estado. Ou então aquelas peças que foram compradas num momento de compulsão, mas que não caíram tão bem. Já são vários os blogues com essa finalidade, blogues-brechós, uns com preços bem camaradas, outros nem tanto. Tem de tudo. Esse aqui tem a mesma proposta, com um precinho um pouco mais salgado. Além disso, tem links para vários outros blogues que seguem a mesma tendência.
Achei a idéia o máximo! A única desvantagem é não poder provar as roupas e ter que confiar nas descrições das peças e no próprio instinto. Fora isso, é uma ótima oportunidade para reciclar o guarda-roupa gastando pouco. A-do-rei!
Iminência de vida nova, pensamentos distantes, trabalho em ritmo lento. Incapacidade total de concentração. 3 livros começados sem perspectiva nenhuma de concluí-los nos próximos meses. As revistas que assino estão lá, intactas, juntando poeira. A única leitura que ainda me prende é a dos blogs. Dos outros.
E ando descobrindo coisas super interessantes. Esse blog, por exemplo, é um verdadeiro bazar virtual. A idéia é vender roupas, sapatos e acessórios que já não cabem mais no armário, mas que ainda estejam em bom estado. Ou então aquelas peças que foram compradas num momento de compulsão, mas que não caíram tão bem. Já são vários os blogues com essa finalidade, blogues-brechós, uns com preços bem camaradas, outros nem tanto. Tem de tudo. Esse aqui tem a mesma proposta, com um precinho um pouco mais salgado. Além disso, tem links para vários outros blogues que seguem a mesma tendência.
Achei a idéia o máximo! A única desvantagem é não poder provar as roupas e ter que confiar nas descrições das peças e no próprio instinto. Fora isso, é uma ótima oportunidade para reciclar o guarda-roupa gastando pouco. A-do-rei!
terça-feira, 6 de maio de 2008
Há Sempre Uma Perda Em Cada Encontro
Cada encontro está carregado de perda. Ou de perdas. À vezes duas pessoas que se amam (casados, solteiros, amantes, namorados) se encontram e são felizes. Ao fim da felicidade, um deles chora. Ou fica triste. Ou baixa os olhos. Ou é invadido por uma inexplicável melancolia. É a perda que está escondia no deslumbramento de cada encontro.
O encontro humano é tão raro, que quando surge, vem carregado de todas as experiências de desencontros que a pessoa já teve. E que a espécie já sofreu.
(...) Cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido uma possibilidade. É a experiência de tantos desencontros o que marca os raros encontros que a vida permite. A própria vida é uma espécie de ante-sala do grande Encontro (com o Todo? o Nada?). Por isso talvez seja uma provocação de desencontros preparatórios da penetração na essência do Ser.
Mas por isso ou por aquilo, cada encontro está carregado de perda. A perda é mais adivinhada do que sentida. E no ato de sentir-se feliz, intensamente feliz, associa-se a idéia do passageiro que é tudo, do amanhã cheio de interrogações, da exceção que aquilo significa.
E uma tristeza muito particular se instala: a tristeza feliz. A tristeza feliz não é a que deriva das grandes dores, frustrações ou amarguras. É a que se associa ao momento bom, como perda inerente a cada encontro, como sentimento de certeza de que tudo aquilo passará. É a consciência de não ter na hora de ter.
Tristeza feliz é a que surge depois dos encontros verdadeiros, tão raros. Encontros verdadeiros são os que se dão de "self" (si mesmo) para "self" e não de inteligência para inteligência, de concordância para concordância, de interesse para interesse.
Os encontros verdadeiros prescindem de palavras. Prescindem, até, do clássico "precisamos conversar". Eles realizam em cada pessoa a parte delas que se sublimou, ficou pura, melhor, louca, mas a parte que responde a carências muito antigas e a certezas anteriores aos fatos.
É mais fácil, para quem tem um encontro verdadeiro, acabar triste pela certeza fluidez da felicidade vivida, do que sair cantando a alegria da felicidade vivida ou trocada. Quem se alegra demais se distancia da felicidade. Felicidade está mais próxima da paz que da alegria; do silêncio que da festa; do encontro que do debate.
(...) FELICIDADE está perto da tristeza, porque a certeza da perda sempre se instala a cada vez que estamos felizes.
Cada encontro está carregado de perda. (...) É esta certeza-da-perda o que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que a gente não sabe porque às vezes se instala após os verdadeiros encontros.
Há sempre uma despedia em cada alegria. Há sempre um "e depois" após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada.
Artur da Távola
O encontro humano é tão raro, que quando surge, vem carregado de todas as experiências de desencontros que a pessoa já teve. E que a espécie já sofreu.
(...) Cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido uma possibilidade. É a experiência de tantos desencontros o que marca os raros encontros que a vida permite. A própria vida é uma espécie de ante-sala do grande Encontro (com o Todo? o Nada?). Por isso talvez seja uma provocação de desencontros preparatórios da penetração na essência do Ser.
Mas por isso ou por aquilo, cada encontro está carregado de perda. A perda é mais adivinhada do que sentida. E no ato de sentir-se feliz, intensamente feliz, associa-se a idéia do passageiro que é tudo, do amanhã cheio de interrogações, da exceção que aquilo significa.
E uma tristeza muito particular se instala: a tristeza feliz. A tristeza feliz não é a que deriva das grandes dores, frustrações ou amarguras. É a que se associa ao momento bom, como perda inerente a cada encontro, como sentimento de certeza de que tudo aquilo passará. É a consciência de não ter na hora de ter.
Tristeza feliz é a que surge depois dos encontros verdadeiros, tão raros. Encontros verdadeiros são os que se dão de "self" (si mesmo) para "self" e não de inteligência para inteligência, de concordância para concordância, de interesse para interesse.
Os encontros verdadeiros prescindem de palavras. Prescindem, até, do clássico "precisamos conversar". Eles realizam em cada pessoa a parte delas que se sublimou, ficou pura, melhor, louca, mas a parte que responde a carências muito antigas e a certezas anteriores aos fatos.
É mais fácil, para quem tem um encontro verdadeiro, acabar triste pela certeza fluidez da felicidade vivida, do que sair cantando a alegria da felicidade vivida ou trocada. Quem se alegra demais se distancia da felicidade. Felicidade está mais próxima da paz que da alegria; do silêncio que da festa; do encontro que do debate.
(...) FELICIDADE está perto da tristeza, porque a certeza da perda sempre se instala a cada vez que estamos felizes.
Cada encontro está carregado de perda. (...) É esta certeza-da-perda o que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que a gente não sabe porque às vezes se instala após os verdadeiros encontros.
Há sempre uma despedia em cada alegria. Há sempre um "e depois" após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada.
Artur da Távola
Atravessar a rua é fácil...
... dependendo de quem está do outro lado.
É mais ou menos assim a última frase do filme "Um beijo roubado". Frase curta e de efeito. Se parar pra pensar, é isso mesmo.
Mudanças causam ansiedade, insegurança, medo. É sempre difícil enfrentá-las. Mas quando se sabe que do outro lado tem alguém torcendo pra tudo dar certo e dando total apoio para que se siga adiante, aí sim, encarar o medo do incerto, do novo, fica mais fácil.
Mais uma fase que se acaba. Mais uma partida. Mais um recomeço. Fatos que ficarão na memória. Amigos que deixarão saudades. Promessas de reencontros. É bom acreditar no reencontro. Apesar de todos os pesares, sentirei saudades, eu sei...
É mais ou menos assim a última frase do filme "Um beijo roubado". Frase curta e de efeito. Se parar pra pensar, é isso mesmo.
Mudanças causam ansiedade, insegurança, medo. É sempre difícil enfrentá-las. Mas quando se sabe que do outro lado tem alguém torcendo pra tudo dar certo e dando total apoio para que se siga adiante, aí sim, encarar o medo do incerto, do novo, fica mais fácil.
Mais uma fase que se acaba. Mais uma partida. Mais um recomeço. Fatos que ficarão na memória. Amigos que deixarão saudades. Promessas de reencontros. É bom acreditar no reencontro. Apesar de todos os pesares, sentirei saudades, eu sei...
sábado, 26 de abril de 2008
message from Prof. Huntington
De 16 de abril de 2008:
Dear Ms. Dias,
Thank you for your note. I am delighted that you found the Clash of Civilizations interesting and that you have been able to use it in your own work.
In my view, cultural differences are still of paramount importance in world politics and, I suspect, they will continue to be of great importance for many years to come.
I wish you every success in your work.
Sincerely yours,
Samuel P. Huntington
**************
Só para esclarecer, Huntington é Professor em Harvard e uma sumidade quando o assunto envolve Relações Internacionais. Minha monografia da Especialização foi baseada no "Choque de Civilizações", talvez sua obra que tenha causado mais polêmica. Durante a dissertação do meu trabalho, enviei-lhe um email demonstrando minha admiração por sua brilhante tese e aproveitei para lhe perguntar se, na sua opinião, o "choque" seria determinante na política internacional contemporânea. A resposta está acima. Por essa eu não esperava!
Metida, eu?? É, um pouco, e é assim que tenho conquistado meus sonhos. Acabei tendo nota máxima no trabalho.
Dear Ms. Dias,
Thank you for your note. I am delighted that you found the Clash of Civilizations interesting and that you have been able to use it in your own work.
In my view, cultural differences are still of paramount importance in world politics and, I suspect, they will continue to be of great importance for many years to come.
I wish you every success in your work.
Sincerely yours,
Samuel P. Huntington
**************
Só para esclarecer, Huntington é Professor em Harvard e uma sumidade quando o assunto envolve Relações Internacionais. Minha monografia da Especialização foi baseada no "Choque de Civilizações", talvez sua obra que tenha causado mais polêmica. Durante a dissertação do meu trabalho, enviei-lhe um email demonstrando minha admiração por sua brilhante tese e aproveitei para lhe perguntar se, na sua opinião, o "choque" seria determinante na política internacional contemporânea. A resposta está acima. Por essa eu não esperava!
Metida, eu?? É, um pouco, e é assim que tenho conquistado meus sonhos. Acabei tendo nota máxima no trabalho.
segunda-feira, 3 de março de 2008
becoming insane
Infected Mushroom é o que toca no meu MP3. Porque o que eu quero, hoje, é destilar!
No me acuerdo lo que paso
No me di cuenta ni que me pico
Todo da vueltas como un carrusel
Locura recurre todita mi piel
Wake me up before I change again
Remind me the story that I won´t get insane
Tell me why it´s always the same
Explain me the reason why I´m so much in pain
Before I change again...
Remind me the story that I won't get insane
Before I change again...
Remind me the story that I won't get insane
Insane, Insane, Insane, Insane,Insane, I'm Becoming
Insane!!!
No me acuerdo lo que paso
No me di cuenta ni que me pico
Todo da vueltas como un carrusel
Locura recurre todita mi piel
Wake me up before I change again
Remind me the story that I won´t get insane
Tell me why it´s always the same
Explain me the reason why I´m so much in pain
Before I change again...
Remind me the story that I won't get insane
Before I change again...
Remind me the story that I won't get insane
Insane, Insane, Insane, Insane,Insane, I'm Becoming
Insane!!!
Assinar:
Postagens (Atom)


